<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254</id><updated>2012-03-16T09:32:49.728-07:00</updated><category term='Sapato'/><category term='Enfermidade'/><category term='Chuva'/><category term='escola'/><category term='passado'/><category term='segredos'/><category term='INCA'/><category term='ódio'/><category term='Cartas'/><category term='dia'/><category term='recreio'/><category term='Felicidade'/><category term='focacci'/><category term='colégio'/><category term='sonhos'/><category term='quadro de honra'/><category term='composição'/><category term='idade'/><category term='livro'/><category term='música'/><category term='Corpo'/><category term='unhas'/><category term='Seios'/><category term='Mulher'/><category term='Café'/><category term='cartomante'/><category term='lista'/><category term='janela'/><category term='livraria'/><category term='Carta'/><category term='banho'/><category term='Vó'/><category term='história'/><category term='Paris'/><category term='realizações'/><category term='Câncer'/><category term='violão'/><category term='vinho'/><category term='prosseco'/><category term='melodia'/><category term='um dia'/><category term='Butão'/><category term='futuro'/><title type='text'>Letícia Dal-Ri | Escritora</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-7126790790318806853</id><published>2011-10-14T18:46:00.000-07:00</published><updated>2011-10-14T18:56:47.606-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='composição'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='melodia'/><title type='text'>A sexta melodia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cljWm6WIT4I/TpjoG4e0J6I/AAAAAAAAI58/VICjaV-s2H4/s1600/Scales.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-cljWm6WIT4I/TpjoG4e0J6I/AAAAAAAAI58/VICjaV-s2H4/s320/Scales.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663531736356890530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Nem sempre ele estava bem, com seu sorriso largo no rosto e suas brincadeiras de criança. E quem estaria? Havia certos dias de rebeldia em que o silêncio era melhor do que a palavra, e gestos discretos, como o acender de um incenso, o apagar de uma luz, valiam mais do que mil vozes juntas. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nestes dias já era de se esperar que escolhesse uma, duas, três ou quatro músicas em um CD qualquer para acompanhar no violão. Ele sentava-se na beira da cama, de costas para mim, de frente para a fonte da melodia que agora embalava o movimento de suas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E entre o tocar de uma, duas, três ou quatro músicas, era como se surgisse alguém em seu lugar. Alguém que ele já foi um dia, alguém que eu há anos reconhecia, alguém que ele desejava ser. Era como se não estivesse lá. Era como se um outro "eu" tomasse por um instante seu lugar. E assim, ao acompanhar a quinta música que surgia, era como se o "eu" de antes e o "eu" de agora se encontrassem como um passe de mágica no refrão de uma melodia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Neste momento, ele se viraria para mim, comentaria sobre a lembrança de uma nova música e começaria a tocar a sexta, provavelmente uma composição sua abandonada no tempo, com aquele velho sorriso largo no rosto e suas brincadeiras de criança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá estava o "ele" que eu amava de volta. Ele, seu violão e uma nova composição.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-7126790790318806853?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/7126790790318806853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/10/sexta-melodia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/7126790790318806853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/7126790790318806853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/10/sexta-melodia.html' title='A sexta melodia'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-cljWm6WIT4I/TpjoG4e0J6I/AAAAAAAAI58/VICjaV-s2H4/s72-c/Scales.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-762341536314853666</id><published>2011-10-07T08:47:00.001-07:00</published><updated>2011-10-07T09:25:56.900-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='recreio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='colégio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quadro de honra'/><title type='text'>O quadro de honras</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RMSA9i67oRM/To8nb6IZReI/AAAAAAAAI5U/27JBoblfICE/s1600/Hora%2Bdo%2Brecreio%2B2.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 224px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-RMSA9i67oRM/To8nb6IZReI/AAAAAAAAI5U/27JBoblfICE/s320/Hora%2Bdo%2Brecreio%2B2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5660786617042421218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Em meus tempos de escola passei boa parte da infância amedrontada pelo chamado "Quadro de Honra". Meu maior fantasma nada mais era do que uma folha de papel pendurada em um grande mural no pátio da escola com o nome dos cinco alunos que obtiveram as melhores notas do bimestre. Gostava de estudar, apesar de encontrar sempre uma certa dificuldade no hábito. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje acredito só que estudava porque minhas melhores amigas de colégio eram estudiosas. Quanto azar... Poderia ter sido amiga da turma da bagunça.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se para minhas amigas era uma grande facilidade estar na lista dos desejados nomes, revezando-se sempre nas primeiras posições ao longo dos meses, para mim aquilo despendia de um grande esforço e me garantia sempre a última posição. O quinto lugar era meu e este ninguém revezava. Minha mãe dizia que eu estava sempre pendurada na folha e se um vento soprasse mais forte, meu nome caía.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acredito que meus esforços para ter o nome em (último) destaque, compartilhando daquele momento de alegria com as amigas era maior do que o desejo de ter um boletim azul ou passar de ano sem a possibilidade de uma recuperação. O tempo passou e o lugar onde o nome é colocado em destaque também. Os esforços continuam os mesmos e um vento mais forte faz com que tudo seja em vão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje me questiono se todo este esforço também não é em vão. Minha escola se chamava "Horas Alegres" e na entrada havia um castelo que não existe mais. Melhor do que um lugar de destaque em uma folha é ter momentos como este a lembrar. Saudade dos tempos de escola onde o quadro de honras era minha maior preocupação...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-762341536314853666?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/762341536314853666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/10/o-quadro-de-honras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/762341536314853666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/762341536314853666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/10/o-quadro-de-honras.html' title='O quadro de honras'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RMSA9i67oRM/To8nb6IZReI/AAAAAAAAI5U/27JBoblfICE/s72-c/Hora%2Bdo%2Brecreio%2B2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-6797221027921812467</id><published>2011-09-17T05:48:00.000-07:00</published><updated>2011-09-17T05:54:16.704-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sapato'/><title type='text'>Sapatos Coloridos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mSLTiosaS6M/TnSX_ZsHNZI/AAAAAAAAI5M/RgNfQ512-7g/s1600/foto.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-mSLTiosaS6M/TnSX_ZsHNZI/AAAAAAAAI5M/RgNfQ512-7g/s320/foto.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653310547740276114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  border-collapse: collapse; font-family:arial, sans-serif;font-size:11px;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  border-collapse: collapse; font-family:arial, sans-serif;font-size:11px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;- Então tá combinado, né?&lt;br /&gt;- Tá - levemente nervoso. - Combinado.&lt;br /&gt;- Como a gente vai se reconhecer?&lt;br /&gt;- Reconhecer?&lt;br /&gt;- Eu vou estar de blusa branca, calça jeans e sapato colorido. E você?&lt;br /&gt;- Eu vou estar de cabeça baixa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-6797221027921812467?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/6797221027921812467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/09/sapatos-coloridos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/6797221027921812467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/6797221027921812467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/09/sapatos-coloridos.html' title='Sapatos Coloridos'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-mSLTiosaS6M/TnSX_ZsHNZI/AAAAAAAAI5M/RgNfQ512-7g/s72-c/foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-6364030460084895354</id><published>2011-09-14T05:06:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T05:17:26.430-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='unhas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ódio'/><title type='text'>Bola de unhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6_appcwPhy4/TnCbMfxGW4I/AAAAAAAAI5E/4fo6j8Njxxs/s1600/ice-queen.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-6_appcwPhy4/TnCbMfxGW4I/AAAAAAAAI5E/4fo6j8Njxxs/s320/ice-queen.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652188171338144642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O ódio era como uma bola de unhas - daquelas que tinha medo exisitirem   na infância - sufocando seu estômago por dentro. Lá dentro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Podia senti-lo como se fosse um objeto, engolido às pressas, às escondidas, com a fúria de um famigerado faminto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lá estava ele. O ódio. Preenchendo o espaço do leite, da manteiga, do pão. Era como se estivesse indigesta, indefesa, obrigada a decidir entre o sim e o não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não. Era óbvio que não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E as unhas aos poucos se separavam entre o esôfago, o fígado e o intestino. Já não podia mais sentir a bola, o ódio do faminto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele se dissipava aos poucos. Como palavras que não saiam pela boca e sim pelas mãos. Seus dedos já eram mais rápido que seu pensamento. O ódio estava se transformando em&lt;/div&gt;&lt;div&gt;outro sentimento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já não era mais ódio. Era decepção. Não. Era óbvio que não.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-6364030460084895354?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/6364030460084895354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/09/bola-de-unhas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/6364030460084895354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/6364030460084895354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/09/bola-de-unhas.html' title='Bola de unhas'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6_appcwPhy4/TnCbMfxGW4I/AAAAAAAAI5E/4fo6j8Njxxs/s72-c/ice-queen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-2583501199328757036</id><published>2011-09-08T05:42:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T05:56:12.135-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='segredos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cartomante'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futuro'/><title type='text'>A cartomante</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vVBUMJOghzs/Tmi6yKNU79I/AAAAAAAAI40/yQw-L_4gODc/s1600/cartas.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-vVBUMJOghzs/Tmi6yKNU79I/AAAAAAAAI40/yQw-L_4gODc/s320/cartas.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649971103432765394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Toquei a campainha pensando no valor do aluguel. Será que era comprado? Leblon. Um jardim bem cuidado recebia quem ultrapassasse a portaria. Será que o porteiro era 24 horas? Não me anunciou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma moça atendeu a porta. Disse que estava atrasada. Eu disse que estava adiantada. Me ofereceu o radio, caso quisesse ouvir uma música. Vai demorar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entrou. Pela porta ouvia a vida de alguém que não era minha. 39 anos. Problemas de relacionamento. Problemas de trabalho. Quase uma recepção de analista. Tentei focar em outra coisa. Na cozinha adaptada uma cristaleira pintada de vermelho exibia porcelana antiga. Seria o dom da cartomante hereditário?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sobre o balcão um algodão-doce. Parecia algo surrealista para estar ali. O tempo passou. Reparei em moveis verde-limão, uma caixa misteriosa sobre a mesa. Visualizei notas de dinheiro em seu interior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um ar misterioso embalava os minutos ouvindo a conversa alheia. O tempo foi passando. Segundos, minutos, uma vida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela abriu a porta e a moça de 39 anos com todos os seus problemas foi embora não sem antes jurar cumprir promessas e ligar dizendo o que aconteceu. Trocaram telefones como amigas de longa data.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela me chamou para entrar. Logo atrás de mim, uma porta se fechou. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-2583501199328757036?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/2583501199328757036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/09/cartomante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/2583501199328757036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/2583501199328757036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/09/cartomante.html' title='A cartomante'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vVBUMJOghzs/Tmi6yKNU79I/AAAAAAAAI40/yQw-L_4gODc/s72-c/cartas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-1122933679000864203</id><published>2011-07-01T16:47:00.001-07:00</published><updated>2011-07-01T17:09:47.669-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='banho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Felicidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Butão'/><title type='text'>A felicidade está entre um banho quente e uma taça de vinho...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-IyOV0V-z0qQ/Tg5hAkuugyI/AAAAAAAAI3I/UqE9YvB3PIc/s1600/ta_a_vinho.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 242px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-IyOV0V-z0qQ/Tg5hAkuugyI/AAAAAAAAI3I/UqE9YvB3PIc/s320/ta_a_vinho.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624539647119885090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O molesquine com a "lista de livros que deseja ler" não ajudou e Laura mais uma vez acabou comprando a história da "mulher-em-crise-que-parte-para-o-oriente-em-busca-da-felicidade". O destino da vez era Butão e a leitura estava agradável o suficiente nas primeiras páginas para comentar com uma ou duas pessoas sobre o que estava lendo já no segundo dia.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Interessou-se por uma passagem em que a tal mulher foi buscar em algum tipo de terapia de grupo as respostas óbvias que escreveria a respeito a seguir. O exercício era escrever, antes de dormir, as três coisas que mais a deixaram feliz naquele dia. Laura gostou. Pensou em fazer o mesmo, no mínimo, mentalmente. Ainda era o segundo dia e talvez a terceira ou quarta taça de vinho... A esta altura do campeonato, não conseguia focar no que havia acontecido de verdadeiramente importante ao longo do dia. Por isso, preferiu se limitar a encontrar as tais 3 coisas mais importantes levando em consideração as últimas horas do dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1 - Banho quente... Laura era aquele tipo de mulher que escrevia no espelho logo depois de sair do banho. Seu colo, vermelho, denunciava que por pouco o banho não era uma maneira de auto-cozimento-pessoal. Confirmou a escolha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2 - Óleo de amendoas... O cheiro era algo inesquecível, aguçava os sentidos. Manteve na lista mesmo sabendo que poderia estar sendo simplória demais. Sensitiva demais... bebido demais...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3 - Roupão... no meio do inverno, enlaçar-se em um roupão, somado ao banho, somado ao óleo, somado ao vinho, perfeito. Lista concluída.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4 - E o vinho? Já estava acima dos itens na lista e nas taças! Por que não encher mais uma?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5 - Torradinhas com queijo gorgonzola. Um arremate para o dia perfeito. Ou melhor, para as últimas horas perfeitas. Em menos de 3 horas, talvez menos de meia hora, havia cinco coisas que a deixavam verdadeiramente feliz. Lógico que adoraria ir para o Butão um dia (e irá), mas não era com isso que queria se preocupar agora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para finalizar, e já que não foi capaz a limitar-se aos 3 itens solicitados, Laura optou por incluir mais um... escrever. Preparou algumas torradas, respirou fundo o cheiro de amêndoas que pairava no ar, amarrou um pouco mais forte o laço que segurava o roupão e enquanto escrevia este texto, dava um belo gole de vinho com os cabelos ainda molhados do banho que acabara de tomar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E assim sua lista terminou junto com o texto, já que o dia ainda teria algumas horas para acabar e ela poderia continuar criando itens infinitamente até a meia-noite chegar. (Laura é viciada em listas).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-1122933679000864203?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/1122933679000864203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/07/felicidade-esta-entre-um-banho-quente-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/1122933679000864203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/1122933679000864203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/07/felicidade-esta-entre-um-banho-quente-e.html' title='A felicidade está entre um banho quente e uma taça de vinho...'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-IyOV0V-z0qQ/Tg5hAkuugyI/AAAAAAAAI3I/UqE9YvB3PIc/s72-c/ta_a_vinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-4202850629344811160</id><published>2011-05-13T16:04:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T16:30:37.589-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='focacci'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosseco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livraria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='um dia'/><title type='text'>Livrarias, prossecco e focaccia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TGKz1WTBTp4/Tc2-MClp6zI/AAAAAAAAI2o/0-PpmTeCxLU/s1600/Travessa.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-TGKz1WTBTp4/Tc2-MClp6zI/AAAAAAAAI2o/0-PpmTeCxLU/s320/Travessa.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606346225208650546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não há nada que dê mais prazer para Laura do que um bom livro. Complementando: um bom livro e uma taça  -  2 ou 3, quem sabe, - de prossecco. Com algumas horas entre um compromisso e outro no centro da cidade, nada mais adequado para ela do que entrar em uma livraria qualquer e comprar um novo livro - qualquer. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que Laura tem uns 4 ou 5 livros em casa novinhos, prontos para serem lidos. Mas o que fazer se nenhum deles está em sua bolsa quando mais precisa de uma leitura?! Entra. Passa o dedo indicador sobre as capas organizadas lado-a-lado na bancada principal como se a escolha do livro fosse muito mais um ato aleatório do que uma decisão inerente. No fundo, ela acredita que seja exatamente assim que é fisgada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seus dedos chegam até a capa de "Um dia". O livro fora citado pela mãe e por isso merece sua atenção. No fundo, ela nega, mas sempre leva seus comentários em consideração. Folheia, abre em páginas aleatórias e lê trechos. Por mais que esteja em um momento "não-ficção", sente a voz quente da mãe ao pé do ouvido dizendo "leia" e, logo em seguida, "coloque os ombros para trás, olha a postura".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A poltroninha antiga dos seus sonhos está livre e sente um ímpeto de ir correndo até lá com o livro nas mãos antes que alguém perceba aquele aconchegante e encantador assento vago no meio da livraria. Lugar mágico. Começa a ler. Na quarta ou quinta página tem o reflexo de sublinhar uma frase. Mais do que isso, sente uma necessidade crescente de escrever seu nome, a data e o local onde comprou na segunda capa. O hábito do nome e data veio da mãe. A idéia de colocar o local e a data em que conclui a leitura na última página são delas, com orgulho. Vícios inerentes que a deixam ainda mais feliz quando repassa o livro para a mãe ou quando recebe um livro lido por ela. Datas diferentes, momentos diferentes, histórias diferentes. Parágrafos que as unem durante toda uma leitura. Eternamente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda tentada a rabiscar, consulta o preço e pensa em todas as inutilidades que já comprou por aquele mesmo valor. Compra. Não satisfeita com a poltroninha incrível - e ainda sonhando com o dia em que terá uma só para ela -, sobe para o segundo piso sentindo-se Virgina Wolf. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acomoda-se no café, imagina-se em Paris, pede o cardápio. Finalmente pega a caneta e sente-se feliz e completa. Ao seu lado, as prateleiras repletas de livros de culinária francesa e asiática a lembram como escrever, produzir, viajar, ler e ser feliz aguçam seu paladar. Pede uma focaccia de salmão defumado com queijo de cabra e uma taça de prossecco. Ignora a aula de empreendedorismo que chega em breve e sente-se uma pessoa poderosa no sentido mais pleno da palavra: o poder de fazer o que a faz feliz. Secretamente está feliz, rodeada de pessoas que não devem estar nem aí para o que ela pensa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já com nome, data e local escritos na segunda capa, continua a leitura. Sem  tirar os olhos da página que corre leve como o prosseco, saboreia a focaccia literária. O sanduíche acaba, o prosseco pede outra taça, as páginas aceleram a virada. A hora de partir é chegada, não sem antes marcar a página onde parou a leitura. Mais um livro-focaccia, que ser á devorado o mais breve possível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Definitivamente, não há nada que faça Laura mais feliz em uma noite de quinta do que livrarias, prossecco e focaccia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-4202850629344811160?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/4202850629344811160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/05/livrarias-prosseco-e-focaccia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4202850629344811160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4202850629344811160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2011/05/livrarias-prosseco-e-focaccia.html' title='Livrarias, prossecco e focaccia'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-TGKz1WTBTp4/Tc2-MClp6zI/AAAAAAAAI2o/0-PpmTeCxLU/s72-c/Travessa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-9203170260266932309</id><published>2010-11-11T10:40:00.000-08:00</published><updated>2010-11-11T10:53:09.857-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corpo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Seios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enfermidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Câncer'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='INCA'/><title type='text'>Enfermaria 502</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;Existe um lugar onde Deus, Jesus e qualquer outro tipo de fé é aposto de frase. Um lugar onde qualquer esperança é bem recebida, acreditada e desacreditada em segundos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;Aqui, mulheres de branco são como anjos que surgem ao longo do dia e no meio da noite oferecendo um alento, um comprimido ou uma fralda limpa, pronta para ser usada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;Nas camas, mulheres também de branco, vestidas em seus aventais sem corte ou compostura, têm dois, um, nenhum seio. Têm cabelos curtos ou estão carecas, usam lenços, perucas ou chapéus. São lindas em sua feminilidade rompida por conta da coragem que refletem em seu olhar. Mulheres novas e idosas que lutam contra algo que não existe, algo que não podem ver ou tocar, mas que está lá, em silêncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;Há ainda as mulheres de rosa, que vêm florescer a enfermaria de tempos em tempos com sua ajuda voluntária. Muitas delas já passaram pela mesma situação e sabem exatamente do que estamos falando. Suas palavras de consolo trazem sorrisos e conforto para o quarto nada familiar. Suas mãos trazem o alimento para aquelas que não têm companhia para o jantar. Seus bolsos são repletos de pequenas embalagens de shampoo, sabonte, pasta de dentes ou o que mais precisar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt; &lt;/span&gt;São diversas histórias que entram e saem por aquela porta carregadas por cada uma de suas protagonistas. Não é ficção. É realidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A primeira delas, depois de passar muitas noites ofegante, decidiu inspirar devagar até não mais respirar. Foi embora em um saco plástico, espero eu para um lugar melhor e sem dor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A segunda chegou triste. Jamais pensava em voltar. A imunidade baixa não era nada comparado à preocupação que tinha com os filhos na semana de prova. Tornou-se uma guardiã do quarto, ajudando a todos com suas palavras sem perceber que&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;ela mesma precisava de ajuda. (E quem não precisa?) Chorou calada por algumas horas, por alguns dias, temerosa por acreditar ser uma espécie de futuro próximo o que via ao redor. Amanhã felizmente receberá alta. Grande amiga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A terceira de tão espaçosa não cabia na cama. Animou o quarto querendo levantar-se e se embolando nos tubos que levavam soro e medicamentos para seu corpo. No meio da noite a vi sentada na cama, de costas para o lado em que deveria estar. Queria ver televisão às cinco da manhã, dizia que eu tinha voz de cantora, e lembrava-se de todos os médicos que a trataram tempos atrás. Por que então estava de volta? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;Enchi os olhos de lágrimas porque não havia outra coisa a fazer quando vi o carinhoso marido chegar. Passou fio dental em seus dentes, perguntou se podia beijar-lhe a boca e a pegou no colo para acomodá-la por pelo menos cinco minutos no sofá. Antes de sair se despediu dizendo “volta logo pra gente voltar a brigar”. Espero que assim o faça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A quarta não era bem uma paciente, mas fazia exatamente o oposto: tirava um pouco da paciência de todas. Era para ser uma acompanhante paga para cuidar da terceira, mas dormia e comia mais do que qualquer coisa. Se fez de desentendida quando se deparou com uma fralda suja e ainda deu bronca na narradora por não tê-la chamado para o café da manhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A quinta quase não fala. Depois de tantos dias, é como se todas nós soubéssemos sua história sem precisar ouvi-la. Deveria ter alguém a acompanhando, mas está sozinha. Não incomoda. Em seus poucos momentos de fala contou ter caído do 22&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt; andar de uma escada tempos atrás. Além da doença silenciosa, tem uma marca eterna e dolorosa nas costas por conta da queda. Desejo-lhe uma grande visita esta tarde e na seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A sexta chegou de madrugada. Meio sonolenta, em uma possível – se o é – primeira noite de sono tranqüilo,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;acreditei ser apenas uma paciente de outro quarto vindo usar o banheiro ao lado. Mas não era o que eu esperava. Aqui, ninguém espera mais nada. Cedi minha poltrona para sua acompanhante e tentei da maneira mais otimista me acomodar entre uma cadeira e um pedaço da cama para apoiar a cabeça. Quem se importa com o sono em uma situação como esta? Algumas horas depois ela foi embora, deixando a sexta ocupante da enfermaria sozinha, fato que me deu pena. Voltei assim para a desconfortável poltrona, o ponto de vista de onde observo um recorte amargo da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;Sua situação não é das melhores, certamente não é, já que estão aqui reunidas. Uma grande ferida exposta no braço aguarda o parecer dos médicos enquanto ela pede para que não mintam para ela. Por mais profissional que o medico possa ser, ele gagueja por dentro quando responde e eu percebo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A sétima é o motivo mais puro e inocente da minha presença na enfermaria 502. Dorme agora um sono tranqüilo, como muitos que me proporcionou ao me criar enquanto meus pais trabalhavam durante minha infância e adolescência. Me deu muitos banhos, zelou meu sono e agora sou eu quem retribuo fazendo o mesmo. Amanhã volta para casa e viveremos um dia atrás do outro com ela, como se nada tivesse mudado, apesar de tudo estar diferente. Hoje vejo que não somos nada além da vida que levamos. E sua vida foi para doar. O corpo não é nada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;A última sou eu, sentada na poltrona que deixou de ser minha por algumas horas na última noite, que vivenciou todas as histórias de perto e que deseja profunda e verdadeiramente o bem para todas. Pois não há mais nada o que pedir. Apenas o bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:36.0pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;&lt;i&gt;Eunice, Valéria, Elizia, Denise e Elenice, obrigado pelo aprendizado que me deram nos últimos dias. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri"&gt;&lt;i&gt;Desejo o bem para todas, no sentido mais verdadeiro da palavra. &lt;/i&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-9203170260266932309?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/9203170260266932309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/11/enfermaria-502.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/9203170260266932309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/9203170260266932309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/11/enfermaria-502.html' title='Enfermaria 502'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-5959767086262509786</id><published>2010-10-19T05:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T05:34:44.725-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='idade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='passado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futuro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realizações'/><title type='text'>A carta</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; "&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2020.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Olá Letícia,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Finalmente chegou a data tão esperada para que pudesse abrir esta carta. Dez anos se passaram desde que a escrevi, projetando sonhos e idealizando planos. Espero que ao lê-la sinta-se realizada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Dez anos, dez anos atrás, correspondiam a 20% de uma vida. Para sua surpresa hoje já corresponde a 10%. Por isso, não se decepcione se você ainda não tiver plantado uma árvore, gerado um filho ou escrito um livro. Você ainda tem alguns anos para fazê-lo (se assim o quiser).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Decidi não perguntar como anda sua carreira, se continua escrevendo ou se mantém seus conflitos entre produzir e realizar coisas. Sei que continua envolvida com as artes, mas isto não importa agora. Minha maior curiosidade, dez anos depois, é saber se entendeu por que está aqui, se consegue ser feliz todos os dias ao ver o sol nascer ou a chuva cair. Os anos passam e acreditamos que devemos fazer parte de uma rotina sem fim que envolve trabalho, estudos e família. Espero que depois de dez anos tenha descoberto que isto não é uma verdade. Seu futuro certamente já deve ter lhe mostrado isso. Espero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Você pode ter feito muitas coisas ao longo destes dez anos. Mas o que realmente quero saber é o que fez de bom para as pessoas que a cercam, quais foram suas atitudes que mais lhe deram orgulho, o que você aprendeu ao longo de todo este tempo. Quando você escreveu esta carta, tinha 30 anos. Era casada, feliz, estava finalmente se realizando profissionalmente sem perder sua individualidade e cuidando de si mesma, ao seu tempo, sem pressa. Seu primeiro livro havia recem sido escrito e você o deixou de lado por alguns dias, com medo de que ele pudesse ser verdadeiramente publicado. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;Certamente publicou outros livros, não é mesmo? &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;Por favor, não me diga que ele continua na gaveta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Naquela época sua maior preocupação era para onde viajar no Ano Novo. Você já sabe para onde vai agora aos 40 anos? Conseguiu dar a volta ao mundo nos últimos anos? Conheceu pessoas, lugares, comidas, culturas? Ou mudou completamente seu jeito de ser e fica extremamente feliz apenas com o conforto de um ar condicionado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Continua sorrindo todas as manhãs simplesmente porque pode acordar e ver a luz do sol ou sentir o cheiro de terra molhada pela chuva? &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;Espero que o tempo não tenha sido capaz de mudar sua essência. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;Dez anos parece muito, mas não passa de um breve suspiro marcado por uma carta que enviou para si mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;Desejo profundamente que continue querendo apenas ser feliz e fazer com que outros, ao seu redor, também o sejam. Há dez anos, aos 30, você tinha o dom de alegrar os amigos com seu jeito de ser, com seus textos e com a maneira que levava sua vida. Espero que não tenha perdido isto aos 40. E se estiver verdadeiramente frustrada com o que se tornou agora que suas mãos refletem um pouco mais de idade, não se decepcione consigo mesma, pois é sempre tempo de recomeçar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:tahoma, sans-serif;"&gt;Pegue uma folha de papel e uma caneta - se é que elas ainda existem e não se transformaram em alguma outra coisa com uma maçãzinha prateada gravada - e escreva uma nova carta para si mesma. Desta vez a data será 19 de outubro de 2030 e ao abrí-la, você terá 50 anos e muitos outros pela frente. Você vai conseguir e mais uma vez, ficar surpresa ao abri-la.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;Felicidade, lembre-se que é a única coisa que realmente importa. Nos vemos novamente em dez anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;Letícia&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TL2P6MFhgRI/AAAAAAAAIyQ/zW2pKRTQMj4/s1600/Captura+de+tela+2010-10-19+%C3%A0s+10.33.41.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TL2P6MFhgRI/AAAAAAAAIyQ/zW2pKRTQMj4/s320/Captura+de+tela+2010-10-19+%C3%A0s+10.33.41.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529734147320414482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  ;font-family:arial;font-size:small;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;span style="font-family:tahoma,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-5959767086262509786?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/5959767086262509786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/10/carta.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5959767086262509786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5959767086262509786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/10/carta.html' title='A carta'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TL2P6MFhgRI/AAAAAAAAIyQ/zW2pKRTQMj4/s72-c/Captura+de+tela+2010-10-19+%C3%A0s+10.33.41.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-5836801025448804373</id><published>2010-10-03T15:30:00.001-07:00</published><updated>2010-10-03T15:47:45.332-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vó'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paris'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='história'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Café'/><title type='text'>Café em Paris</title><content type='html'>&lt;div&gt;Minha “vó” foi embora em 1994. Eu tinha apenas 14 anos e ela 64. Foi cedo demais para quem sonhava conhecer a França. Cedo demais para que eu pudesse sentir sua falta. Quando completei vinte anos, decidi escrever sua história. Descobri traços de sua personalidade passados de mãe para filha. Traços passados de filha para neta. Comecei admirá-la como adulta. Lamentei não ter ficado mais tempo ao seu lado. Lamentei não tê-la visitado mais vezes. Não ouvi suas histórias pessoalmente. Não a abracei tanto quanto deveria.&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Já quase não lembro de sua fisionomia senão por retratos. Mas ela será eternamente a minha avó onde quer que esteja. E por isso jamais abandonou meus cadernos e escrita. Sua história de vida é tão linda quanto os romances que lia. E por isso precisei dez anos para concluí-la. [Apesar de não considerá-la terminada ainda.] Minha “vó” se tornou página, livro, narrativa e história. E se um dia ela quiser, agora posso levá-la através das palavras para passar uma tarde em um café de Paris.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TKkHaZ6XhrI/AAAAAAAAIxo/HqhE6ktypiU/s1600/Captura+de+tela+2010-10-03+%C3%A0s+19.45.39.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 229px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TKkHaZ6XhrI/AAAAAAAAIxo/HqhE6ktypiU/s320/Captura+de+tela+2010-10-03+%C3%A0s+19.45.39.png" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523954568160315058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-5836801025448804373?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/5836801025448804373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/10/cafe-em-paris.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5836801025448804373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5836801025448804373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/10/cafe-em-paris.html' title='Café em Paris'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TKkHaZ6XhrI/AAAAAAAAIxo/HqhE6ktypiU/s72-c/Captura+de+tela+2010-10-03+%C3%A0s+19.45.39.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-5788762685920997439</id><published>2010-09-28T05:52:00.000-07:00</published><updated>2010-09-28T05:58:33.369-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chuva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='janela'/><title type='text'>Dias de chuva</title><content type='html'>&lt;div&gt;Gosto de dias de chuva. Dias de semana com chuva. O barulho do dia é diferente, os movimentos dos guarda-chuvas são lentos e transformam a paisagem das ruas. O dia corre mais lento, a noite chega sem pressa. Dias de chuva têm cheiro de terra molhada. Trazem consigo lembranças do passado. Lembro de ficar na varanda de casa observando a chuva e o jardim. A natureza das coisas muda em dias de chuva, como se nós, assim como as plantas, precisássemos de água. Não há pressa, prazos ou correria. Eu era criança e não sabia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dias de chuva me fazem ficar naturalmente mais calma. Gosto de observar aquela paisagem turva pela janela enquanto escrevo. Os dias são mais silenciosos e as pessoas menos egoístas. Dias de chuva pedem um café, um chá, um casaco, um abraço. Dias de chuva existem para nos sentirmos aquecidos. Gosto de dias de chuva. Dias de semana com chuva. Especialmente aqueles em que posso ficar em casa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-5788762685920997439?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/5788762685920997439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/09/dias-de-chuva.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5788762685920997439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5788762685920997439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/09/dias-de-chuva.html' title='Dias de chuva'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-168663165227229422</id><published>2010-08-26T18:44:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T18:48:53.143-07:00</updated><title type='text'>O gosto amargo de batatas-fritas</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Você simplesmente não queria ficar triste. Colocou o fone de ouvido, escolheu a melhor música e ouviu a todo volume. Logo estava rindo e dançando comigo pela sala como se eu também, mesmo no mudo, fosse capaz de ouvi-la. Seu cabelo ficou pra cima de tanto que dançou e quando não agüentava mais dançar, caiu na cama, sorriu e me chamou "vem cá".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordamos sorrindo, felizes e atrasados e na sua euforia quase trocou as chaves e me deixou presa em casa. O dia passou tranquilo e isso sempre me angustia de alguma forma. Não sei explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu também estava triste, apesar de não querer estar. Comprei uma porção de batatas-fritas na 1o de Março pagando apenas três reais. Quando o metro chegou na estação, o vento derrubou as ultimas batatinhas, aquelas que você sabe serem minhas preferidas, no chão. Não foi legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas passou, conforme ia mudando a estação. Cheguei em casa com um gosto estranho de gordura na boca e você estava lá, sorrindo com o fone de ouvido nas mãos, esperando para me entregar. Eu me joguei na cama e falei "vem cá". Acordamos felizes, sorrindo e com um gosto amargo de batata-frita de ontem no céu da boca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-168663165227229422?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/168663165227229422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-gosto-amargo-de-batatas-fritas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/168663165227229422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/168663165227229422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-gosto-amargo-de-batatas-fritas.html' title='O gosto amargo de batatas-fritas'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-298376477166865590</id><published>2010-08-20T05:40:00.001-07:00</published><updated>2010-08-20T05:41:41.658-07:00</updated><title type='text'>Uma e outra</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000000;"&gt;Uma quer largar tudo e se tornar voluntária no Nepal. A outra quer poder esquiar no próximo feriado em algum lugar da América do Sul. Uma quer abrir mão de uma carreira de sucesso e ser uma pessoa normal. A outra quer enviar o curriculo para a UNICEF, UNESCO ou ONU e fazer algo de bom pelo mundo. Uma quer se mudar para outro país e aprender outra cultura. A outra quer comprar um apartamento e ter um escritório aconchegante dentro de casa. Uma quer escrever. Outra quer ser produtora. Uma que trabalha pouco, paga suas contas e curtir as pequenas coisas da vida. A outra quer trabalhar muito, gastar sempre que tiver vontade e realizar sonhos extravagantes. Uma quer trabalhar com turismo. A outra quer atuar com responsabilidade social. Uma quer fazer acrobacia aérea. A outra prefere assistir a um DVD em casa. Uma não pode entrar em uma livraria. A outra, não consegue dar conta de todos os livros que compra. Uma adora uma taça de vinho. A outra bebe fácil uma garrafa de champagne. Uma quer aprender italiano. A outra prefere &lt;em&gt;parler français&lt;/em&gt;. Uma gosta de trabalhar demais. A outra não entende até hoje por que trabalha tanto. Uma se considera bem sucedida. A outra não liga de ser uma fracassada. Uma gosta de ficar entre amigos. A outra prefere manter relações solitárias. Uma gosta de banho bem quente. A outra prefere recitar mantras para Ganesha. Uma adora andar de metrô. A outra não suporta ter que sair de casa. Uma é normal e equilibrada. A outra tem crises e neurosos que a deixam louca. Uma sonha em conhecer a Espanha. A outra adoraria fazer um mochilão pela Ìndia. Uma não pode viver sem chocolate. A outra pensa em um dia parar de comer carne. Na maior parte das vezes as duas brigam o tempo inteiro. Em outras convivem em perfeita harmonia. E só mesmo quando as duas estão juntas... é que eu existo completamente. Sou uma e outra simultaneamente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-298376477166865590?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/298376477166865590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/uma-e-outra.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/298376477166865590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/298376477166865590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/uma-e-outra.html' title='Uma e outra'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-848877561327400629</id><published>2010-08-08T09:10:00.000-07:00</published><updated>2010-08-08T09:22:55.542-07:00</updated><title type='text'>Quando meu pai nasceu eu já tinha 10 anos de idade</title><content type='html'>Meu pai nasceu alguns anos depois de mim - pelo menos uns 10 - o que me fez ser naturalmente mais velha do que ele para sempre. Ele é um jovem daqueles que você diz "em minha próxima vida quero nascer assim". E eu como única (e mais velha) filha tenho muito orgulho de ter um pai assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais o vi sem um sorriso no rosto e uma proposta entre os dentes. Uma viagem de carro, uma moto nova, um desejo secreto... este é meu pai. O cara que sempre está pronto para brincar e se divertir e ainda tira onda de garotão na fila dos aposentados quando vai ao banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de mais velha, pude curtir com ela toda sua infância, que deve ter começado quando ele tinha uns 35 anos de idade. O vi soltar pipa, andar de mobilete e de patins. O vi fazer trilha de moto e de jipe, comprar brinquedos dos quais se orgulha até hoje, fazer coleção de carrinhos, rodar bambolê e se dar de presente de Natal um video game (enquanto me dava um microondas em troca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai é uma criança grande. Mas é a única criança que eu gosto de brincar depois que cresci. O cara é quase onipresente. Está em todo lugar, mesmo sem sair de onde está. Se oferece a qualquer um que precise de ajuda e é considerado por meus amigos como mais interessante, engraçado, despojado, divertido do que eu. Afinal, eu sou a velha da relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai é lindo, querido e acima de tudo, ganhou uma filha que tem um orgulho danado de quem ele é. Por isso e por mais uma série de motivos que vivencio diariamente há 30 anos, esse texto é seu presente de dia dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TF7Zqa2gmsI/AAAAAAAAIu8/2SRWVRpkvfI/s1600/DSC06257.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TF7Zqa2gmsI/AAAAAAAAIu8/2SRWVRpkvfI/s320/DSC06257.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503075117479008962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-848877561327400629?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/848877561327400629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/quando-meu-pai-nasceu-eu-ja-tinha-10.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/848877561327400629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/848877561327400629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/quando-meu-pai-nasceu-eu-ja-tinha-10.html' title='Quando meu pai nasceu eu já tinha 10 anos de idade'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TF7Zqa2gmsI/AAAAAAAAIu8/2SRWVRpkvfI/s72-c/DSC06257.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-8921783518586309354</id><published>2010-08-07T10:07:00.000-07:00</published><updated>2010-08-07T10:28:01.936-07:00</updated><title type='text'>Como escritoras veem o mundo e vêm ao mundo</title><content type='html'>Escolheu o modelo transparente, de formato retangular e listras coloridas. Deu uma nota de vinte reais ao camelô e recebeu um de dez de volta. Colocou os óculos no rosto. Como enxergava perfeitamente, as lentes de 0,5 graus fizeram sua vista recusar o novo acessório por um instante. Quando chegou na Rua da Assembléia tinha certeza de que estava enxergando melhor e muito mais do que antes. Sentia-se, enfim, uma escritora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tropeçou ao subir na calçada, mas pensou ser distração. Entrou na Saraiva e caminhou com a segurança de uma escritora de sucesso, no caso dela recem revelada por lentes de miopia, que não se seduz por capas coloridas e cheiro de livro novo no ar. Chegou ao café, sentou-se na mesa mais afastada de todos e colocou a bolsa na cadeira ao lado para que ninguém se aproximasse. Pediu um chocolate quente grande, abriu o laptop e começou a escrever sem parar. O chocolate terminou e ela continuava a digitar com poucas pausas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a moça veio avisar que a livraria seria fechada em 10 minutos, acenou com a cabeça não sem antes digitar todo um parágrafo que pedia para ser transformado em literatura. Fechou o laptop, retirou os óculos do rosto e o pendurou na blusa. Pagou a conta com os dez reais de troco e saiu do mesmo jeito que entrou, com ar de superior e óculos se equilibrando no colo. Quando estava quase na porta de saída deu uma leve olhada nos "mais vendidos". Lá estava ele, o último livro que ela acabara de publicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TF2XjoJx-rI/AAAAAAAAIuk/2VtGKhdrWDM/s1600/18_newman-collection.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 157px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TF2XjoJx-rI/AAAAAAAAIuk/2VtGKhdrWDM/s320/18_newman-collection.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5502720958046272178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-8921783518586309354?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/8921783518586309354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/como-escritoras-veem-o-mundo-e-vem-ao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/8921783518586309354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/8921783518586309354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/como-escritoras-veem-o-mundo-e-vem-ao.html' title='Como escritoras veem o mundo e vêm ao mundo'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_488DMUPPDX4/TF2XjoJx-rI/AAAAAAAAIuk/2VtGKhdrWDM/s72-c/18_newman-collection.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-4978364593253872391</id><published>2010-08-03T20:31:00.001-07:00</published><updated>2010-08-03T20:31:26.528-07:00</updated><title type='text'>É só o que sabemos fazer</title><content type='html'>Existe algo que nos faz prosseguir. Mais forte do que todos os nãos, do que todas as cadeiras vazias, do que todas as páginas não lidas. Se me perguntarem por que insisto em fazer cultura, responderei que simplesmente não sei fazer outra coisa. Na verdade, nem tenho tanta certeza de que sei fazer isso a que chamam "cultura" direito. Mas se não o fizesse, nada mais faria. Sentido. Trabalhamos na maior parte das vezes de maneira solitária, colocando no papel algo que não se pode mensurar. Não sabemos quem está do outro lado da tela, escondido no escuro do cinema ou observando uma obra de arte em uma parede qualquer. Jamais ficamos sabendo de que forma nossa arte vai atingir o outro, quando ela verdadeiramente se aproxima dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra surgem as palmas, os elogios rasgados, os agradecimentos fortuitos. Nunca acreditamos. Não é por isso que fazemos cultura. Fazemos porque não há mais nada a fazer. Porque é só isso e mais nada que sabemos fazer. Esta é a nossa natureza, quer você vire a página ou não, quer você leia este texto até o fim ou não, quer bata palmas em pé ou sentado (ou simplesmente saia escondido no intervalo entre o primeiro e o segundo ato).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos movidos pela transformação. Se não em você, no leitor, no espectador, na platéia, pelo menos em nós. Mudamos a todo instante em favor de nossa arte. Somos artistas e quando finalmente assumimos isso para nós mesmos, não há mais nada a temer. Somos artistas. Artistas. Arte. Queremos transformar, mobilizar, mexer, instigar. Mas acima de tudo, queremos fazer.  Porque se não o fizéssemos, o que seria de nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos artistas de nossas próprias vidas. Se não fazemos "cultura", pelo menos criamos a nós mesmos... Infinitamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-4978364593253872391?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/4978364593253872391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/e-so-o-que-sabemos-fazer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4978364593253872391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4978364593253872391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/e-so-o-que-sabemos-fazer.html' title='É só o que sabemos fazer'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-5000443343729447924</id><published>2010-08-02T20:32:00.001-07:00</published><updated>2010-08-02T20:32:32.895-07:00</updated><title type='text'>Página 186</title><content type='html'>Não conseguia me desgarrar do livro de maneira alguma. Passei do ponto sem nenhuma culpa, desci com ele nas mãos sem saber exatamente que direção seguir e me preocupei apenas em não perder nenhuma linha enquanto atravessava a rua. Aproveitei o sinal fechado para marcar um parágrafo inteiro com a caneta que já estava estrategicamente posicionada vinte páginas atrás no meu bolso e continuei a leitura a caminho de casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei pela porta quatro páginas depois e o único movimento que fui capaz de fazer foi me jogar na cama e saborear cada página que ela escrevia. Era como se Marlena estivesse contando sua história apenas para mim e para mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Páginas viradas, já estava perto do fim. E ao mesmo tempo em que desejava saber o final daquela história, torcia para que não houvesse verdadeiramente um final a se desvendar. "Gosto dessa idéia de ser sempre um iniciante e agora quero ser um". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossas histórias eram semelhantes. Ou ainda mais, estavam se encontrando página a página como se tudo o que acontecia com Marlena e Fernando estivesse também acontecendo conosco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele chegou em casa para juntar-se a mim e aos dois que me acompanhavam, comecei a ler em voz alta os trechos que havia recem marcado antes mesmo que pudesse tirar a roupa e entrar no banho. Era como se nós quatro estivéssemos ali, construindo a mesma história. A água morna escorria pelo ralo assim como eles se despediam das gôndolas que passeavam por Veneza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas nossa vida não depende de um lugar. Nem de uma casa ou de um emprego. Aprendi isso tudo com você." E assim, o livro chegou ao fim, deixando na contra-capa um desejo de, assim como eles, recomeçar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-5000443343729447924?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/5000443343729447924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/pagina-186.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5000443343729447924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5000443343729447924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/pagina-186.html' title='Página 186'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-3318330083244710854</id><published>2010-08-02T20:31:00.005-07:00</published><updated>2010-08-02T20:31:59.648-07:00</updated><title type='text'>Só eu e você</title><content type='html'>Logo cedo coloquei o braço do outro lado da cama e você já não estava mais lá. Acordou apressado, presumo, e não foi nem mesmo capaz de beijar-me a testa e cobrir-me os pés. Os primeiros minutos do dia ocorreram-me como de costume. Caminhar em passos lentos até o banheiro, dar um leve sorriso para mim mesma no espelho e tomar um copo de leite com chocolate quente para amenizar o frio que fazia lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sentido por não ter se despedido, não era de se esperar que me telefonasse tão cedo. O motivo era outro. Do percurso de casa ao trabalho você simplesmente não viu ninguém. Não era jogo do Brasil, não havia nenhum toque de recolher, não chovia forte lá fora, nem as ruas estavam interditadas. Ninguém. Para seu espanto, mesmo com um leve atraso foi o primeiro a chegar no trabalho. E mesmo depois de 30 minutos das primeiras burocráticas tarefas que tiravam você de perto de mim, ninguém havia chegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este era o motivo do seu telefonema. Queria falar comigo e ter certeza de que não estava sonhando. Olhei pela janela e também não vi ninguém. Um silêncio assustador tomava conta dos corredores do prédio. Peguei o jornal na banca e coloquei de volta os trocados no bolso porque ninguém estava lá para recebê-los. Comprei mais um pão, um pacote de talharim e queijo ralado para fazer o almoço, e passei despretensiosamente pelo caixa especial porque ninguém estava no mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém na rua, na locadora,  na papelaria, na entrada do shopping. Nenhum carro parado no sinal, nenhum atrasado no ponto de ônibus, nenhum ônibus lotado. Olhei no relógio para confirmar a hora. Nove e meia. Não era domingo, dia santo ou feriado. Era segunda. Um dia normal de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois você já estava de volta em casa, ao meu lado na cama, com o braço circulando meus ombros como eu gostava de sentir você por perto. Estávamos verdadeiramente felizes naquela manhã e a partir de todas as outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanto amor em nosso peito, não cabia mais ninguém em nosso mundo. Só eu e você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-3318330083244710854?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/3318330083244710854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/so-eu-e-voce.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/3318330083244710854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/3318330083244710854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/so-eu-e-voce.html' title='Só eu e você'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-5501457773892515031</id><published>2010-08-02T20:31:00.003-07:00</published><updated>2010-08-02T20:31:43.719-07:00</updated><title type='text'>Meus amigos guarda-chuva</title><content type='html'>Tenho amigos guarda-chuva. Aqueles que não convivem comigo diariamente, mas que estão sempre por perto quando o tempo fecha. Basta o clima esfriar ou as nuvens começarem a se formar para que eu imediatamente me lembre deste amigo que nem sempre está por perto, mas que tem hora certa pra chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos guarda-chuva não se incomodam de ser esquecidos de vez em quando. É normal deixá-los de lado por um tempo pois não fazem parte do meu dia-a-dia. Eles sabem o quanto são necessários e de como preciso deles ao meu lado de vez em quando. São amigos de momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos guarda-chuva são aqueles que protegem e resguardam. Aqueles os quais esquecemos e lembramos. Imprescindíveis e necessários. Protetores e zelosos. Pequenos ou exagerados. Monocromáticos e coloridos. Tenho amigos guarda-chuva de todos os tipos. Aqueles que no dia-a-dia até atrapalham, mas que em certos momentos fazem uma falta danada. Devíamos ter sempre um amigo guarda-chuva na bolsa para os dias em que o clima muda de repente. Para dias de trovões e chuva forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos amigos do tempo. Amigos que nem sempre se falam quando o sol está claro e o céu límpido e aberto. Mas amigos que sempre se encontram quando os primeiros pingos de chuva atingem o solo. Amigos guarda-chuva estão sempre preparados. Seja para garoa ou tempestade. Seja para vento forte ou chuva fina. Amigos guarda-chuva sabem que não são esquecidos de propósito, pois confiam em na necessidade desta amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos guarda-chuva aparecem de novo em nossas vidas quando a gente menos espera...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-5501457773892515031?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/5501457773892515031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/meus-amigos-guarda-chuva.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5501457773892515031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5501457773892515031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/meus-amigos-guarda-chuva.html' title='Meus amigos guarda-chuva'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-8228960350727282985</id><published>2010-08-02T20:31:00.001-07:00</published><updated>2010-08-02T20:31:18.297-07:00</updated><title type='text'>Sopa de Letras</title><content type='html'>Sua vida mais parecia uma sopa de letras. Por mais que tentasse separar vogais e consoantes para formar frases completas na borda do prato, tudo o que conseguia era deixar a colher submergir em direção ao fundo do caldo como um grande submarino. Não sabia por onde começar, apesar de ter a completa certeza de que algo deveria ser feito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou o vapor atingir seu rosto e sentiu nos poros o calor que evaporava do centro do prato. Era como se cada um de seus sonhos fosse minúsculas gotículas de sopa tentando ansiosamente transformar-se em nuvens creme de cebola.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria furar cada uma destas nuvens de dentro de uma grande aeronave e fazer a chuva se formar em lágrimas salgadas. Queria estar abaixo delas quando os primeiros grandes pingos tocassem o solo e fizessem com que cada uma de suas peças de roupa se colassem para sempre junto ao seu corpo. Queria sentir os fios de cabelo unirem-se em pequenos bandos e cada bando tornar-se uma pequena goteira castanha em forma de espiral derramando sopa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali estava ela, de volta, em frente ao prato. Bastou voltar para a realidade que aos poucos palavras foram se formando na borda do prato.  E assim a sopa transformou-se em poesia circular. Sem início. Sem fim. Sugou com vigor todo o líquido que restava  e deixou algumas poucas letras bagunçadas ao centro. Uma ou duas vogais. Quatro ou cinco consoantes. E nada mais. Apenas uma sopa de letras, como era sua vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-8228960350727282985?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/8228960350727282985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/sopa-de-letras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/8228960350727282985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/8228960350727282985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/sopa-de-letras.html' title='Sopa de Letras'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-5118889144474851457</id><published>2010-08-02T20:30:00.003-07:00</published><updated>2010-08-02T20:30:45.970-07:00</updated><title type='text'>As garças</title><content type='html'>Aparentemente não existe nenhuma diferença entre a duas garças sobre as quais escrevo. Ambas são brancas, voam com a mesma elegância, possuem bico fino e alongado e, sempre que podem, comem peixes. Em meio a tantos assuntos, por que me interessar justamente por garças? E por que especificamente "estas"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto uma vive na Visconde de Albuquerque, a outra habita a Vila de Santo Antônio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muitos amigos que sonham em morar na Visconde de Albuquerque. Nenhum deles certamente conhece a Vila de Santo Antônio. Seria a garça do Leblon classe média alta? Sonho de consumo de um jovem aspirante? O que dizer da garça de Santo Antônio, que o mais próximo que chega da civilização é ver um turista alternativo atrapalhar sua rotina passando em um barquinho de madeira ao seu lado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam parentes distantes separados por concreto e cimento? Ou pela simplicidade e ausência de ganância? O que seria da garça Zona Sul ao se deparar com a garça do vilarejo? Tenho certeza que a garça moderna se encantaria ao colocar os pés na areia... E a garça da vila ficaria encantada com as luzes da cidade... Desejariam trocar de vida por um dia? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado como o destino pregou uma peça até mesmo nas aves. Enquanto uma morre com a poluição, a outra vira caça para um predador mais atento. Enquanto uma é um suspiro no meio da selva de pedra, a outra é o mais sublime contato do homem com a natureza. Enquanto uma vive sua vida, a outra vive sua vida também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas garças não têm escolhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-5118889144474851457?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/5118889144474851457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/as-garcas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5118889144474851457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/5118889144474851457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/as-garcas.html' title='As garças'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-4951439073260310062</id><published>2010-08-02T20:30:00.001-07:00</published><updated>2010-08-02T20:30:29.624-07:00</updated><title type='text'>O dia em que o alho foi mais forte que a pimenta</title><content type='html'>Foi em busca de uma espécie de "biópsia temperamental" que abrimos juntos uma grande pimenta que decorava um prato mexicano em uma noite qualquer. Surpresos com a quantidade e tamanho das sementes que nela habitavam, pensamos que aquele poderia ser o primeiro filho de nossa primeira horta juntos, apesar de nunca termos pensado em fazer uma, mesmo que individualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheios de potencial para fazer florescer tudo o que existe ao nosso redor, compramos vaso, terra e aconchegamos gentilmente todas as frágeis sementes em seu novo lar: a única janela da casa. E foi assim e também com grande surpresa que acompanhamos o tímido crescimento do que um dia poderia se tornar nossa grande pimenteira caseira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos a entendê-la como uma nova moradora. Descobrimos o quanto crescia após uma noite de chuva e o quanto murchava quando era esquecida ao sol. Criamos meios de nunca esquecê-la na janela e brigamos algumas vezes culpando quem a esquecia. A pimenteira crescia a olhos vistos, do seu jeito acanhado e tímido, apesar de não termos visto jamais nenhum sinal de que ela - a pimenta propriamente dita - viria um dia a aparecer entre seus frágeis e delicados galhinhos verdes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias foram passando e a pimenta crescendo de modo desproporcional, como se aquilo para ela também não passasse de uma grande aventura do casal. Ficou tão comprida e fina que precisou ganhar a escora de um incenso, único objeto existente na casa capaz de mantê-la de pé e alinhada sobre a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia, algo inesperado aconteceu. Esquecido no fundo da geladeira, um dente de alho gastava suas  últimas energias procurando um pouco de terra entre batatas e cebolas. Não era mais um alho-tempero, mas sim um alho-florescendo e ele clamava ardentemente por um novo abrigo que não fosse gelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais justo do que unir o útil ao agradável... Voltamos à floricultura, desta vez para comprar quase um vaso-cobertura e terra nova para o novo morador. Dividimos o espaço irmamente entre alho e pimenta acreditando que ambos poderiam aproveitar mutuamente da companhia de cada e não mais sentirem-se temperos solitários em nossa semi-horta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O transplante ocorreu dentro do esperado e a pimenta alegrou-se com seu novo lar. Imagino que nem mesmo se deu conta da presença do alho, acanhado do outro lado do vaso, por acreditar ser poderosa e quente o suficiente para deixar qualquer alho a chorar cebolas. O alho, por outro lado, sorria a bafos vistos e se alegrou tanto com a nova morada que cresceu o quanto podia da noite para o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma viagem surgiu em nossos planos, mas não abandonamos o lar sem antes deixar sombra e água fresca suficiente para ambos. Dias depois, preocupados com a ambientação do novo casal, entramos em casa e fomos direto ao vaso. A pimenta estava na mesma, talvez nem tenha se dado conta do alho, se é que isso é verdadeiramente possível. Este, por sua vez, estava grande e fálico, o suficiente para deixar qualquer rapazinho no chinelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim, que ele acabou ganhando toda a nossa atenção - antes dada somente à pimenta acanhada - enquanto buscávamos uma resposta para um fenômeno tão inexplicável. Fora do prato, o alho provou ser mais forte que a pimenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-4951439073260310062?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/4951439073260310062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-dia-em-que-o-alho-foi-mais-forte-que.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4951439073260310062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4951439073260310062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-dia-em-que-o-alho-foi-mais-forte-que.html' title='O dia em que o alho foi mais forte que a pimenta'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-3780699307455559794</id><published>2010-08-02T20:29:00.001-07:00</published><updated>2010-08-02T20:29:58.017-07:00</updated><title type='text'>Esmalte verde-absinto</title><content type='html'>Semana passada fui auto-surpreendida por unhas "azul cintilante". Havia uma moça no ônibus com esmalte desta cor e fiquei atraída pela experiência quando a vi apertando o botão e fazendo sinal para saltar. Parecia coisa passageira, vontade que dá e passa. Mas não. Hoje pela manhã senti um desejo latente, diante de mais de dez opções de branco (como se isso fosse verdadeiramente possível)  de escolher o "verde absinto". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá estou eu, auto-observando minhas unhas "verde absinto" enquanto digito. Minha teoria é de que, quando não se pode fazer grandes e imediatas mudanças em nossas vidas, até mesmo pequenas mudanças nos confortam. Depois do azul, e agora no verde, me sinto mais tranquila do que quando usava o branco da paz. Seria isso verdadeiramente possível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sim, qual será a cor da próxima semana? Pior... O que fazer após experimentar todas as cores do arco-íris hermeticamente acomodados na gaveta da manicure? Partir para o cabelo? Mechas coloridas? Piercing no umbigo? Uma nova tatuagem? Uma mudança na casa? Ou simplesmente a inscrição em um curso de astrologia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei ao certo o que virá. O fato é que - para variar - grandes mudanças estão sempre à caminho. E quando não estão, alguma coisa está verdadeiramente errada em minha vida. Tão errada como estas unhas verde absinto que são ao mesmo tempo intrigantes e esquisitas... e que ainda assim têm um poder que me acalma. Pequenas mudanças, grandes mudanças&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-3780699307455559794?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/3780699307455559794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/esmalte-verde-absinto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/3780699307455559794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/3780699307455559794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/esmalte-verde-absinto.html' title='Esmalte verde-absinto'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-7160879096505997924</id><published>2010-08-02T20:28:00.002-07:00</published><updated>2010-08-02T20:29:06.298-07:00</updated><title type='text'>O bolo do casamento... um ano depois</title><content type='html'>Não sei ao certo quem criou esta tradição, mas o fato é que por causa dela mantivemos um bolo, praticamente intocado, durante um ano em nossa geladeira. Durante os 365 em que o bolo permaneceu congelado como uma pedra, foi abatido algumas vezes por falta de luz e outras apenas para que pudessemos limpar a geladeira ou o piso da cozinha. Sobreviveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, exatamente um ano depois, eu e meu marido nos preparamos psicologicamente para reencontrá-lo: o bolo do nosso casamento. A tradição diz que dá sorte aos noivos comê-lo exatamente um ano depois da data em que se casaram. Por outro lado, pesquisando na internet, as únicas respostas que obtive foram gastrointerite e indisposição estomacal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que ele estava lá, aguardando ansiosamente, depois de 12 meses de puro esquecimento. Depois de uma pizza e um DVD que entraram antecipadamente em nossos planos, o receio de comer um possível bolo estragado nos rondava e acabamos deixando o relógio passar de meia-noite, não sem antes nos culparmos por uma possível má-sorte como consequência de quebrarmos a principal regra da tradição: a data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, nas primeiras horas do aniversário do primeiro dia de casados resolvemos enfrentar o inevitável. O pedaço guardado era muito maior do que o mais esfomeado dos convidados pudesse ter comido na passada data. Assim, retirei uma pequena garfada e coloquei goela-abaixo do marido escolhido. Enquanto ele mastigava, peguei minha garfada correspondente e pude perceber que aquilo era mais do que uma tradição: era uma provação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoli firme e quando olhei ao redor o marido-escolhido fazia o gesto que decepcionaria qualquer noiva tradicional. Sem pestanejar cospiu tudo o que havia na boca e mais um pouco direto na lata do lixo, sem volta. Olhou para mim sorrindo e disse: "acho que consegui engolir um pouco". Felizmente não cai aos prantos. Felizmente também não tive algum problema estomacal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lição que tiramos disso tudo é que não importa a tradição, se no final das contas você é capaz de rir do seu amor e do marido-escolhido. Viva a tradição!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-7160879096505997924?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/7160879096505997924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-bolo-do-casamento-um-ano-depois.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/7160879096505997924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/7160879096505997924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-bolo-do-casamento-um-ano-depois.html' title='O bolo do casamento... um ano depois'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-7799359328210909970</id><published>2010-08-02T20:28:00.001-07:00</published><updated>2010-08-02T20:28:44.347-07:00</updated><title type='text'>A cobradora, a chuva, o borrão e o troco</title><content type='html'>Gosto de andar de ônibus quando chove. Alguns passageiros dormem. O ar fica mais quente com as janelas fechadas. Gotas escorrem pelo vidro transformando a cidade em um longo borrão. E eu, que naturalmente penso muito sobre a vida quando ando de ônibus, penso ainda mais em dias de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que todos param um pouco no tempo. Todos querem voltar logo para casa, mesmo sentindo-se aconchegantes em bancos nada confortáveis. Já desejei ser cobradora de ônibus. Andar para um lado e para o outro, pelo menos quatro vezes por dia, para saber como a paisagem muda. Os passageiros entram e saem carregados de objetivos e coisas a fazer. A cada hora cheia, um novo personagem entra e outro sai da mesma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dias como este, o guarda-chuva torna-se um capítulo à parte. Enquanto os senhores se atrapalham para passar na roleta com aqueles modelos pretos e grandes que mais parecem urubus desidratados, as madames buscam a melhor maneira de colocar seus mini-guarda-chuvas no chão, sem molhar a roupa e com a mínima intenção de esquecê-los por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre há um guarda-chuva esquecido no ônibus em dias de garoa fina. Sempre há alguém dormindo que levanta assustado sem saber onde se encontra. Sempre há bancos molhados e vidros fechados. E enquanto passageiros entram e saem, enquanto a cobradora tenta se organizar com o troco, enquanto tudo acontece em poucos metros quadrados cercados de ferros por todos os lados, a cidade se torna borrada lá fora. E eu aproveito a chuva para pensar um pouco mais na vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-7799359328210909970?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/7799359328210909970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/cobradora-chuva-o-borrao-e-o-troco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/7799359328210909970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/7799359328210909970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/cobradora-chuva-o-borrao-e-o-troco.html' title='A cobradora, a chuva, o borrão e o troco'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-4365395789755746321</id><published>2010-08-02T20:27:00.000-07:00</published><updated>2010-08-02T20:28:07.418-07:00</updated><title type='text'>O inusitado</title><content type='html'>Não gosto da normalidade, dos móveis sempre dispostos no mesmo lugar, da rotina com hora certa de sair e hora certa de chegar. Tudo que muda meus planos repentinamente me atrai de tal modo que fico sempre torcendo para que o inesperado aconteça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o inesperado não acontece todos os dias. E assim, dentro desta normalidade que me resta, dos móveis sempre dispostos no mesmo lugar e da rotina com seus horários que me aprisionam ao relógio, me sinto vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que é previsível tem a capacidade de me completar. Caminho sempre com o objetivo de buscar novos rumos, pesquiso novos destinos, respondo a todas as perguntas a fim de que algo, inusitado, aconteça. E quando não acontece, provoco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sinto como uma avalanche sempre pronta para descer a montanha, capaz de soterrar tudo o que me aprisiona. Cada vez mais vejo que preciso de menos e quanto menos tenho, mas desejo ter nada, exceto o inusitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sim, capaz de mover os eixos, desordenar o cosmos, colocar a rotina fora de órbita... o inusitado... é dele que eu gosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-4365395789755746321?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/4365395789755746321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-inusitado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4365395789755746321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/4365395789755746321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/o-inusitado.html' title='O inusitado'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3103545342161140254.post-8084222537756805744</id><published>2010-08-02T20:24:00.001-07:00</published><updated>2010-08-02T20:24:30.180-07:00</updated><title type='text'>Promessas</title><content type='html'>Gosto de mudanças: mudar o corte ou a cor do cabelo, mudar de emprego e começar uma nova profissão, mudar os móveis da casa de lugar para me sentir em um novo lar. Ontem comecei a fazer uma nova arrumação na casa - o que é relativamente difícil visto que moro em um conjugado - e enquanto mexia em caixas e papéis encontrei uma agenda de 2010 praticamente em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia do ano havia um texto dizendo que faria daquela agenda um diário, onde iria necessariamente escrever todos os dias. Cinco dias depois havia mais um texto, desta vez reclamando das quatro páginas em branco anteriores. Nada mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei a agenda de lado e resolvi dar uma nova utilidade para ela, me preocupando com compromissos e contas a pagar. Entretanto, ver aquela promessa de ano novo não cumprida, apenas 3 meses depois de tê-la feito me deixou um tanto frustrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, aqui vai uma nova promessa, não tão autoritária quanto a primeira, colocando este espaço à disposição para escrever um diário de uma quase escritora, apenas quando der vontade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3103545342161140254-8084222537756805744?l=escritoraleticiatorgo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/feeds/8084222537756805744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/promessas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/8084222537756805744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3103545342161140254/posts/default/8084222537756805744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritoraleticiatorgo.blogspot.com/2010/08/promessas.html' title='Promessas'/><author><name>Letícia Dal-Ri Tórgo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-tA0ZanocusU/To8onJvZDhI/AAAAAAAAI5c/q9G1MUcDVj4/s220/Let%2BVinho.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
